Autor: Sabrina Sasso Nobre
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A perda da crítica ou insight prejudicado se refere-se à perda da capacidade de reconhecer a presença de um transtorno, avaliar a necessidade de tratamento e compreender as consequências das próprias experiências e comportamentos. Quando há perda da crítica, observa-se dificuldade em reconhecer os sintomas, tendência a minimizar seu impacto ou a atribuí-los a causas não patológicas. Este sintoma está consistentemente associado à baixa adesão ao tratamento, maior risco de recaída e pior funcionamento social do paciente.

A perda da crítica é mais comum em quadros como: transtornos psicóticos, este prejuízo é considerado uma característica central da esquizofrenia, depressão com sintomas psicóticos, demências neurodegenerativas (doença de Alzheimer, demência frontotemporal); lesões neurológicas focalizadas (AVC, traumatismo craniano); transtornos do desenvolvimento; intoxicação ou abstinência por substâncias (alteração temporária do julgamento e autoconsciência).

Geralmente essa condição ocorre por mecanismo neurobiológicos e cognitivos, como disfunções frontais e redes frontoparietais (déficits na metacognição, no monitoramento de erros e no controle executivo prejudicam a tomada de perspectiva sobre o próprio estado); alteração na integração sensório-cognitivo,  déficits de memória e percepção interoceptiva (em demências e lesões); componentes psicossociais como estigma, negação adaptativa e fatores culturais podem modular a expressão da crítica, mas, quando severo, quase sempre há componente neurológico/cognitivo subjacente.

Este sintoma está associada a maior não adesão ao tratamento, aumento do risco de recaídas, hospitalizações e prejuízo funcional, configurando-se como um importante indicador de pior prognóstico em diversas condições psiquiátricas. Trata-se de um fenômeno transdiagnóstico, com bases cognitivas e neurobiológicas estabelecidas, sendo mais prevalente em quadros como psicose, demência, lesões cerebrais e intoxicação por substâncias. As intervenções mais respaldadas pelas evidências envolvem a combinação de abordagens farmacológicas e psicossociais, com o objetivo de reduzir sintomas e, quando possível, ampliar a consciência do próprio transtorno. Além disso, este fenomeno é compreendido como um constructo multidimensional, que envolve a consciência da doença, o reconhecimento dos sintomas e a capacidade de atribuí-los à condição clínica.

Referência

Joseph B, Narayanaswamy JC, Venkatasubramanian G. Insight in schizophrenia: relationship to positive, negative and neurocognitive dimensions. Indian J Psychol Med. 2015 Jan-Mar;37(1):5-11. doi: 10.4103/0253-7176.150797. PMID: 25722504; PMCID: PMC4341311.