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A narrativa histórica indica que Teseu, aquele responsável por derrotar o minotauro do labirinto de Creta, realizou uma viagem de navio de aproximadamente 50 anos. Durante a jornada, Teseu fora substituindo partes do navio, que estavam quebradas ou desgastadas, e ao final da viagem, todas as peças haviam sido trocadas. A pergunta que fica é, será que o navio que partiu é o mesmo que voltou?
O filósofo Plutarco propôs o seguinte paradoxo do navio de Teseu: dá para dizer que o navio que chegou no ponto B é o mesmo que saiu do ponto A? Ou já é outro?
Muitos filósofos tentaram resolver o paradoxo, alguns comparam o navio e suas peças as águas de um rio, que são constantemente renovadas, mas o rio continua o mesmo. Outros afirmavam que a mudança foi material, então a essência do navio se mantinha a mesma.
Agora imagine você, quanto o seu corpo (célula sao substituídas por novas), sua mente, sua forma de pensar e ver o mundo muda durante os anos. Com tantas transformações, o que permite que vc mantenha o sentido de ser você no tempo e no espaço???
Podemos dizer que o ser humano, desde um ponto de vista fisico, cognitivo e emocional, se encontra em permanente mudança, porem, durante este processo de transformação, algo mantem-se continuo: a certeza de que somos a mesma pessoa em todo o momento. Esta certeza só é possível graças a identidade pessoal, que permite que uma pessoa reconheça a si mesmo como um sujeito único e permanente no tempo, que atribui um sentido para a vida: a sensação de ser e existir. Ou seja, a identidade pessoal é a consciência de existir do individuo e se refere a percepção que uma pessoa tem sobre si mesmo (Sasso Nobre & Vergara, 2019).
Foto: Sabrina Sasso Nobre
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