Autor: Sabrina Sasso Nobre

A síndrome de Balint é um distúrbio neurológico raro causado por lesões no cérebro. Essa síndrome é caracterizada pela incapacidade de perceber visualmente mais de um ou dois estímulos simultaneamente, devido à paralisia do olhar, que limita o paciente a fixar um objeto de cada vez, independentemente do seu tamanho.

O termo foi proposto em 1954 e descreve uma condição com três características principais: ataxia óptica (falta de coordenação entre a visão e o movimento das mãos), apraxia oculomotora (incapacidade de mudar o olhar) e simultagnosia (incapacidade de perceber mais de um objeto no ambiente). A visão do paciente pode ser comprometida, incluindo a incapacidade de olhar rapidamente, fixar os olhos e descrever apenas uma série de objetos, sem conseguir perceber a cena inteira.

O prognóstico e a evolução dos indivíduos afetados dependem de um diagnóstico rápido, visando reduzir possíveis sequelas neurológicas. O tratamento requer um manejo multidisciplinar que pode incluir médicos especialistas e reabilitação neuropsicológica. O objetivo é melhorar a independência do paciente e desenvolver sua qualidade de vida através de uma abordagem personalizada. Como a condição é rara, o tratamento frequentemente é adaptado às necessidades individuais do paciente.

A psicoterapia pode desempenhar um papel importante no tratamento de pacientes com a síndrome de Balint. Embora essa síndrome seja predominantemente neurológica, a psicoterapia pode auxiliar em vários aspectos da vida do paciente:

Adaptação Psicológica:

  • Aceitação da Condição: Ajudar o paciente a aceitar sua condição e lidar com as emoções associadas, como frustração, ansiedade e depressão.
  • Desenvolvimento de Resiliência: Fortalecer a capacidade do paciente de enfrentar os desafios diários e as limitações impostas pela síndrome.

Reabilitação Neuropsicológica:

  • Treinamento Cognitivo: Trabalhar em exercícios cognitivos que possam melhorar funções mentais afetadas, como a percepção visual e a coordenação olho-mão.
  • Terapia Ocupacional: Integrar atividades terapêuticas que ajudem o paciente a desenvolver habilidades práticas e de vida diária.

Suporte Emocional e Social:

  • Redução do Estresse: Oferecer técnicas para gerenciar o estresse e a ansiedade decorrentes da condição.
  • Apoio Social: Facilitar a comunicação e a interação com familiares e amigos, fortalecendo a rede de suporte do paciente.

Estratégias de Enfrentamento:

  • Técnicas de Enfrentamento: Ensinar estratégias para lidar com as limitações visuais e motoras, melhorando a qualidade de vida do paciente.
  • Planejamento e Organização: Auxiliar o paciente na criação de rotinas e métodos para realizar tarefas diárias de maneira mais eficiente e segura.

Educação e Informação:

  • Informação sobre a Condição: Educar o paciente e a família sobre a síndrome de Balint, promovendo uma melhor compreensão e adaptação.
  • Recursos e Apoio: Informar sobre recursos disponíveis, como grupos de apoio, tecnologia assistiva e programas de reabilitação.

A psicoterapia, quando combinada com outras intervenções médicas e terapias, pode oferecer um suporte abrangente e holístico, contribuindo significativamente para a melhora da qualidade de vida do paciente com a síndrome de Balint.

REFERÊNCIAS

López-Delgado, Darío Sebastián, Zambrano-Urbano, José Leonel, Chapues-Andrade, Gloria Liliana, & Padilla-Espinosa, Karen Yamile. (2023). Síndrome de Balint y trombosis de senos venosos cerebrales: reporte de caso. Acta Neurológica Colombiana, 39(4), e6. Epub January 19, 2024.https://doi.org/10.22379/anc.v39i4.861

Moreaud O. (2003). Balint syndrome. Archives of neurology, 60(9), 1329–1331. https://doi.org/10.1001/archneur.60.9.1329

Kumar, S., Abhayambika, A., Sundaram, A. N., & Sharpe, J. A. (2011). Posterior reversible encephalopathy syndrome presenting as Balint syndrome. Journal of neuro-ophthalmology: the official journal of the North American Neuro-Ophthalmology Society, 31(3), 224–227. https://doi.org/10.1097/WNO.0b013e31821b5f92