Autor: Sabrina Sasso Nobre

O Transtorno de Personalidade Histriônico (TPH) é caracterizado por um padrão persistente de emotividade excessiva e necessidade constante de atenção, que interfere de forma significativa na vida pessoal e social do indivíduo. Esse padrão, que geralmente se manifesta no início da vida adulta e está presente em diversos contextos, pode envolver comportamentos dramáticos, busca intensa por aprovação e dificuldade em manter relacionamentos interpessoais estáveis. As causas do TPH ainda são desconhecidas, mas estudos sugerem a influência de fatores como traumas na infância e dinâmicas familiares disfuncionais. A compreensão do funcionamento desse transtorno, permite analisar como as crenças centrais e os esquemas emocionais moldam a forma como o indivíduo percebe a si mesmo e aos outros.

Para a classificação internacional de doenças (CID-10), os critérios do transtorno incluem: necessidade excessiva de atenção; comportamento inapropriado emocionalmente; expressividade emocional exagerada; preocupação com a aparência física e com a imagem que apresenta; facilmente influenciável por outras pessoas.

Para o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) os critérios diagnósticos incluem: a sensação de que deve ser o centro das atenções; comportamento provocativo ou sedutor; mudanças rápidas e exageradas na expressão emocional; uso excessivo da aparência física para chamar a atenção; o estilo de fala impressionante, mas pobre em detalhes; a ênfase na sensação de que as relações são mais íntimas do que realmente são; comportamentos ou atitudes que são facilmente influenciados ou manipulados por outros.

Os sintomas são frequentemente associados a um risco elevado de desenvolver comorbidades, incluindo depressão, ansiedade e transtornos de estresse pós-traumático. A busca constante por validação emocional pode levar a um ciclo vicioso de insatisfação, onde indivíduos sentem que suas necessidades não estão sendo atendidas. Além disso, a sensibilidade à crítica e à rejeição resulta em dificuldades no ambiente profissional, onde a necessidade de reconhecimento pode levar a comportamentos inadequados e a problemas de desempenho.

A intervenção psicoterapêutica colabora ajudando o indivíduo a reestruturar crenças disfuncionais sobre si mesmo, sobre como é percebido pelos outros, autoimagem negativa e os padrões de comportamento autodestrutivos. Técnicas de mindfulness podem ajudar a desenvolver uma maior consciência emocional, promovendo a regulação das emoções e reduzindo a necessidade de buscar atenção de forma excessiva.

A psicoterapia para o Transtorno de Personalidade Histriônico busca explorar experiências e memórias que contribuíram para o surgimento dos sintomas, em um ambiente seguro que favorece a compreensão das emoções e comportamentos. Trata-se de uma condição complexa, que afeta significativamente a vida social e emocional do indivíduo, exigindo um tratamento baseado em abordagens psicoterapêuticas adequadas a demanda de cada paciente. O manejo eficaz dos sintomas pode promover maior equilíbrio emocional e relacionamentos mais saudáveis, sendo fundamental investir em pesquisa e formação profissional para oferecer suporte qualificado aos pacientes.

Referências

American Psychiatric Association. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, DSM-5-TR. Porto Alegre: Artmed, 2022.

Organização Mundial da Saúde. Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde — CID-10. Geneva: OMS, 1993.

Drauzio Varella. Transtorno de personalidade histriônica: o que é, causas e tratamento.https://drauziovarella.uol.com.br/psiquiatria/transtorno-de-personalidade-histrionica-o-que-e-causas-e-tratamento/Drauzio Varella

MSD Manuals. Transtorno de personalidade histriônica.  https://www.msdmanuals.com/pt/profissional/transtornos-psiquiátricos/transtornos-de-personalidade/transtorno-de-personalidade-histriônica