Autor: Sabrina Sasso Nobre

A verborragia, também denominada logorreia, consiste em uma alteração quantitativa do fluxo da linguagem, caracterizada por uma produção excessiva de palavras. O discurso tende a ser acelerado, prolongado e de difícil interrupção, fazendo com que a comunicação frequentemente assuma a forma de um monólogo, no qual a outra pessoa tem pouca ou nenhuma possibilidade de participação.

Esse fenômeno não se restringe a um simples aumento do volume verbal, mas representa um desvio significativo na fluência e no conteúdo do discurso, frequentemente desprovido de finalidade comunicativa clara. Observa-se um fluxo contínuo de verbalizações, marcado pela dificuldade em restringir ou modular a fala, o que compromete a organização e a eficácia da comunicação.

Do ponto de vista clínico, a verborragia é frequentemente observada em diferentes transtornos psiquiátricos e está associada a alterações neuropsicológicas subjacentes, especialmente à desregulação de funções executivas e dos mecanismos de inibição comportamental. Esses déficits contribuem para a incapacidade de autocontrole do discurso, resultando em uma fala excessiva, persistente e pouco regulada.

De acordo com a literatura, a verborragia pode ser considerada um sintoma que surge da dissociação entre a regulação cognitiva e a produção verbal, possivelmente ligada a disfunções na região frontal do cérebro, que é crucial para a execução de comportamentos inibitórios. Além disso, a produção de fala excessiva pode ser relacionada a déficits nas funções de monitoramento e autorregulação, que são fundamentais para o controle da fluência verbal.

Os diferentes transtornos psiquiátricos apresentam variações na manifestação da verborragia, sendo que, em alguns casos, este sintoma pode ser mais predominante.

Transtorno Afetivo Bipolar: Durante episódios maníacos, a verborragia é observada frequentemente, caracterizando-se pela velocidade da fala e pela dificuldade de permanecer em um tópico coerente. A desinibição comportamental típica dessa fase permite que a fala se torne um canal de expressão de ideias grandiosas e elaboradas.

Esquizofrenia: Na esquizofrenia, a verborragia pode manifestar-se através de pensamentos desorganizados e, por conseguinte, em um discurso incoerente. O paciente pode saltar de um tópico a outro sem conexão lógica, refletindo comprometimentos nas funções executivas e na organização do pensamento.

Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH): Indivíduos com TDAH frequentemente exibem verborragia, caracterizada pela dificuldade em regular o excesso de linguagem, resultando em interrupções e uma falta de fluência comunicativa que pode interferir nas interações sociais.

Transtornos de Ansiedade: Embora a verborragia não seja um sintoma central, o aumento da fala pode ser um mecanismo de enfrentamento em contextos de ansiedade social, onde a verbalização excessiva serve para aliviar a tensão e a preocupação.

Compreender as bases neurocognitivas deste fenômeno é crucial para o desenvolvimento de intervenções psicoterapêuticas adequadas. O reconhecimento das nuances da verborragia em diferentes transtornos pode contribuir significativamente para a prática clínica, facilitando uma abordagem mais integrativa e focada nas necessidades do paciente.

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Referências

Lee JW. Chronic ‘speech catatonia’ with constant logorrhea, verbigeration and echolalia successfully treated with lorazepam: a case report. Psychiatry Clin Neurosci. 2004 Dec;58(6):666-8. doi: 10.1111/j.1440-1819.2004.01318.x. PMID: 15601393.

Rubio, N. M. (2020). Verborrea: características y ejemplos de este síntoma del habla. Portal Psicología y Mente. Disponível em: https://psicologiaymente.com/clinica/verborrea