Autor: Sabrina Sasso Nobre

A catatonia é uma condição psiquiátrica que envolve alteração do comportamento motor e é frequentemente associada a transtornos de personalidade, transtornos afetivos e outras condições médicas. Embora seus sintomas possam variar, a catatonia geralmente se apresenta com imobilidade, postura rígida ou peculiar, estupor, agitação e, em algumas situações, ecolalia ou ecopraxia. Reconhecer e tratar a catatonia é essencial, uma vez que pode representar uma emergência médica que exige intervenção imediata.

        A catatonia é uma condição cujo curso pode variar, em alguns casos, é rapidamente identificada e tratada, a melhora pode ocorrer em dias ou semanas. Em outros, como em crianças com transtornos do neurodesenvolvimento, a recuperação tende a ser mais lenta, podendo apresentar períodos de remissão e recorrência. Por isso, é fundamental um acompanhamento contínuo, com consultas de seguimento, intervenções terapêuticas para recuperação de habilidades, ajustes medicamentosos e apoio nas rotinas diárias, a fim de manter os ganhos e adaptar o tratamento às necessidades ao longo do tempo.

Clinicamente, a catatonia pode ser classificada em formas distintas, incluindo a catatonia clássica e a catatonia não especificada, podendo ocorrer em diferentes contextos psicopatológicos. Embora tradicionalmente associada à esquizofrenia, a catatonia também aparece em transtornos afetivos, como depressão e transtorno bipolar, e em outras condições psiquiátricas. Estudos indicam que uma parcela significativa de pacientes com esquizofrenia pode apresentar sintomas catatônicos em algum momento da vida, o que reforça a importância de sua identificação e manejo adequados.

        A catatonia é uma síndrome psicomotora associada a disfunções em circuitos neurais, especialmente envolvendo os sistemas dopaminérgico e GABA, além de alterações no controle inibitório. Pode ocorrer tanto em transtornos psiquiátricos quanto em condições médicas (como infecções, distúrbios metabólicos e reações a medicamentos), o que torna essencial uma avaliação clínica ampla para identificação da causa. O diagnóstico requer a presença de pelo menos três sintomas, como estupor, mutismo, negativismo, catalepsia, posturas mantidas, estereotipias, maneirismos, agitação sem estímulo externo, caretas, ecolalia e ecopraxia. O tratamento envolve principalmente intervenções farmacológicas, mas também suporte psicossocial e familiar, sendo a intervenção precoce fundamental para prevenir complicações e recorrências.

        Em resumo, a catatonia é um fenômeno complexo e multifacetado que exige atenção cuidadosa no contexto dos cuidados em saúde mental. Reconhecer suas manifestações e compreender suas inter-relações com diferentes transtornos mentais e condições médicas é vital para a implementação de estratégias psicoterapêuticas eficazes. A pesquisa contínua nessa área é necessária para aprofundar nossa compreensão e melhorar o tratamento de pacientes que enfrentam essa condição desafiadora.

Referências

DSM-5-TR: Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. 5. ed. rev. Porto Alegre: Artmed, 2023.

CINCINNATI CHILDREN’S HOSPITAL MEDICAL CENTER. Catatonía: Síntomas, diagnóstico y tratamiento. Cincinnati Children’s Hospital Medical Center, 2025.