Autor: Sabrina Sasso Nobre
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A triangulação é um padrão relacional que pode aparecer em pessoas com transtorno de personalidade borderline. Trata-se de uma dinâmica em que um terceiro é envolvido em conflitos ou situações emocionais, muitas vezes como forma de evitar o confronto direto com a pessoa envolvida no problema.

Esse comportamento está frequentemente associado a estratégias de regulação emocional disfuncionais e pode assumir a forma de comunicação indireta, comentários feitos “pelas costas” ou tentativas de influenciar a percepção de outros sobre a situação. Em alguns casos, a triangulação também pode envolver ameaças implícitas de exclusão ou atitudes que estimulam rivalidade entre pessoas.

No contexto do transtorno borderline, essa dinâmica costuma estar relacionada ao medo intenso de abandono e à necessidade de validação afetiva. Assim, a pessoa pode recorrer à triangulação como uma tentativa de obter garantias de amor, lealdade ou compromisso. Alguns aspectos importantes incluem:

  • Evitando o Confronto Direto: Indivíduos acometidos por este transtorno, podem ter dificuldades em lidar com a confrontação direta devido ao medo de rejeição ou abandono.
  • Manipulação de Percepções: A triangulação pode ser usada para manipular a percepção de um conflito.
  • Busca de Validação: Nesse comportamento, a pessoa com TPB pode buscar a validação de suas experiências e sentimentos através do terceiro. Ao trazer outra pessoa para a situação, eles podem tentar confirmar suas interpretações das interações.
  • Aumentando o Conflito: A triangulação pode também intensificar conflitos em vez de resolvê-los, quando uma terceira pessoa é adicionada a uma situação, isso pode complicar ainda mais a dinâmica.
  • Dificuldades em Estabelecer Limites: Indivíduos com TPB frequentemente têm dificuldades em estabelecer e manter limites saudáveis nas relações interpessoais.

Para lidar com a triangulação, é importante promover a comunicação direta, incentivando a pessoa a abordar conflitos de forma clara com as pessoas envolvidas, em vez de recorrer a terceiros. Também é fundamental trabalhar a regulação emocional, desenvolvendo habilidades que auxiliem no manejo da ansiedade e do medo de que frequentemente sustentam esse tipo de comportamento. Além disso, explorar os padrões relacionais, em psicoterapia, permite identificar e compreender como a triangulação se manifesta em suas relações, favorecendo maior consciência ao longo do processo. Com um entendimento adequado e intervenções consistentes, é possível reduzir esses comportamentos e promover relações mais saudáveis, diretas e funcionais.

Referência:

PsyMeet. Triangulação em psicologia. Disponível em: https://www.psymeetsocial.com/blog/artigos/triangulacao-em-psicologia