- TRANSTORNO DE PERSONALIDADE NARCISISTA - 8 de maio de 2026
- EXERCÍCIOS DE RESPIRAÇÃO COMO FERRAMENTA PARA A ANSIEDADE - 8 de maio de 2026
- TRIANGULAÇÃO - 8 de maio de 2026
A afantasia é um fenômeno neurocognitivo caracterizado pela redução marcada ou ausência da capacidade de gerar imagens mentais voluntárias, especialmente imagens visuais, pode ser caracterizada como a “cegueira mental” A pessoa geralmente entende o conteúdo que está tentando imaginar (conceito, detalhes, relações espaciais), mas não experimenta a vivência sensorial/imagética correspondente.
É importante entender que afantasia não é falta de inteligência, criatividade e nem por si só um transtorno mental. A afantasia não impede que o indivíduo perceba imagens reais, reconheça rostos, sonhe com imagens e tenha memória e imaginação em forma não visual.
Na afantasia, o que costuma falhar é principalmente a etapa de geração/reativação imagética com vividez. A pessoa pode: pensar proposicionalmente (em palavras, listas, fatos, lógica, sem imagens), usar estratégias espaciais/semânticas (“sei que a janela fica à esquerda da porta”), desenhar ou planejar com suporte externo (papel, fotos), mesmo sem “visualizar” internamente. É importante saber que muitos indivíduos com afantasia têm funcionamento cognitivo global preservado, e apenas diferem no “formato” da simulação mental.
As causas da afantasia podem ser muitas e ocorrer em diferentes contextos como variação neurognitiva e afantasia adquirida (AVC, traumatismo etc.). Já em saúde mental geral pode ser vista em: transtorno do espectro autista; TDAH; transtornos do humor; transtorno do estresse pós-trauma; esquizofrenia; condições dissociativas.
A afantasia pode impactar em diversos contextos, alguns deles incluem a memória autobiográfica (menor sensação de reviver visualmente experiências passadas); planejamento, criatividade e resolução de problemas; leitura e imaginação narrativa (ler sem ver a cena, reduzindo a imersão visual)
Na afantasia, algumas técnicas terapêuticas que dependem de imaginação guiada (como relaxamento por visualização, EMDR com foco em imagens ou ressignificação imagética) podem precisar de adaptação. Em vez de solicitar que o paciente “visualize” cenas, o psicólogo pode trabalhar com sensações corporais, sons, descrição verbal, metáforas conceituais ou recursos concretos, como fotos, desenhos, objetos e escrita.
Quanto aos sonhos, algumas pessoas com afantasia relatam conteúdo visual, enquanto outras descrevem sonhos mais verbais ou abstratos. Já as intrusões podem ocorrer mesmo sem imagens mentais voluntárias, manifestando-se como pensamentos repetitivos em formato verbal, preocupação excessiva e reações fisiológicas.
Na prática clínica e em pesquisa, a avaliação envolve principalmente relatos subjetivos sobre a capacidade de visualizar mentalmente, questionários de vividez (como o VVIQ (Vividness of Visual Imagery Questionnaire)) e, em alguns casos, tarefas cognitivas como rotação mental. Vale destacar que o desempenho nessas tarefas nem sempre corresponde à vividez da imaginação relatada.
Referência:
Olsson, R. (2024, 11 de abril). Afantasia: comprender los puntos ciegos de la mente. BannerHealth.com. Recuperado de https://www.bannerhealth.com/es/healthcareblog/teach-me/aphantasia-what-it-means-to-live-without-a-minds-eye
Deixe seu comentário