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O transtorno afetivo bipolar é uma condição psiquiátrica caracterizada por oscilações extremas no humor, na energia e nos níveis de atividade. Essas oscilações se manifestam principalmente em duas fases: a fase maníaca (ou hipomaníaca, em casos mais leves), marcada por euforia, agitação, impulsividade e pensamentos acelerados; e a fase depressiva, em que predominam tristeza intensa, apatia, lentidão cognitiva e perda de interesse. Entre essas fases, muitos indivíduos podem vivenciar períodos de estabilidade, embora sintomas residuais frequentemente persistam.
Essas alterações de humor afetam não apenas o estado emocional, mas também diversos domínios do funcionamento cognitivo, sendo a dificuldade de manutenção da atenção, um dos mais comprometidos. A seguir, abordaremos como essas fases interferem especificamente nos processos atencionais e o impacto disso no dia a dia dos pacientes.
A dificuldade para concentrar-se é uma queixa recorrente dos pacientes acometidos pelo transtorno bipolar, presente tanto nos episódios maníacos quanto depressivos. Durante a mania, fatores como pensamentos acelerados, agitação e redução da necessidade de sono agravam a distração. Já nas fases depressivas, a falta de energia e de interesse contribui para a perda de foco. Além disso, a má qualidade do sono, comum entre pessoas com transtorno bipolar, pode intensificar os déficits de atenção, prejudicar a memória e dificultar a assimilação de novas informações. A privação do sono também aumenta a vulnerabilidade ao estresse, que, por sua vez, afeta negativamente a concentração e o equilíbrio emocional.
Durante a fase maníaca do transtorno bipolar, é comum observar uma hiperatividade cognitiva, marcada por pensamentos acelerados e fuga de ideias. Embora o indivíduo possa parecer hiper focado, sua atenção é superficial, pois há uma constante troca de foco entre diferentes estímulos do ambiente. Essa instabilidade gera dificuldade em manter a atenção por períodos prolongados, caracterizando um prejuízo na atenção sustentada. Além disso, a alta distração faz com que qualquer estímulo externo seja capaz de desviar o foco, comprometendo tarefas que exigem concentração contínua.
Na fase depressiva, o funcionamento cognitivo é marcado por lentificação do pensamento, com dificuldade para iniciar ou manter atividades. Há déficits na atenção seletiva e executiva, o que significa que a pessoa encontra dificuldade tanto para filtrar informações irrelevantes quanto para alternar o foco entre diferentes tarefas. A fadiga mental também é recorrente, levando a um cansaço rápido mesmo em atividades simples que exigem atenção.
Já na fase eutímica, ou seja, fora dos episódios de mania ou depressão, estudos apontam que alguns déficits atencionais podem persistir, especialmente em indivíduos com início precoce do transtorno ou com histórico de muitos episódios. Isso sugere que o transtorno bipolar pode envolver déficits cognitivos que não estão restritos às fases ativas da doença, mas que também fazem parte de um padrão mais duradouro, conhecido como déficit “traço”.
Referências
Rocca, C. C. A., & Lafer, B.. (2006). Alterações neuropsicológicas no transtorno bipolar. Brazilian Journal of Psychiatry, 28(3), 226–237. https://doi.org/10.1590/S1516-44462006000300016
INSTITUTO BRASILEIRO DE PSIQUIATRIA FUNCIONAL (IBPF). Does bipolar disorder affect someone’s ability to learn? 2022. Disponível em: https://ibpf.org/articles/does-bipolar-disorder-affect-someones-ability-to-learn/.
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