Autor: Sabrina Sasso Nobre
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A respiração é um componente essencial da regulação emocional e tem papel importante no manejo da ansiedade, não apenas como técnica de relaxamento, mas também por seus efeitos neurobiológicos. Em situações de ansiedade, o sistema nervoso autônomo entra em estado de alerta (luta ou fuga), provocando aumento da frequência cardíaca, pressão arterial, respiração e tensão muscular. Quando essa ativação se mantém por muito tempo, pode gerar prejuízos físicos e mentais e a sensação de estar sob pressão constante, mesmo sem ameaça presente.

A respiração regulada e outras técnicas, como relaxamento e meditação, ajudam a reduzir essa ativação fisiológica, promovendo um estado de relaxamento (já que não é possível estar tenso e relaxado ao mesmo tempo). Essas estratégias auxiliam no enfrentamento da ansiedade, e devem ser adaptadas de forma individual a cada paciente.

No contexto clínico, esses exercícios podem ser incorporados aos planos psicoterapêuticos, enquanto no cotidiano funcionam como ferramentas de autocuidado. Além disso, o uso de práticas como mindfulness, que direcionam a atenção para a respiração e o corpo, contribui para interromper pensamentos negativos, favorecendo maior estabilidade emocional e bem-estar.

A prática de exercícios de respiração profunda, como a respiração diafragmática, pode reduzir a atividade do sistema nervoso simpático, que é responsável pela resposta de estresse. Esse aumento da atividade do sistema nervoso parassimpático, que promove o relaxamento, pode ser observado em medições de variabilidade da frequência cardíaca, um indicador biomarcador do equilíbrio entre os sistemas nervosos simpático e parassimpático. A respiração lenta e controlada aumenta a variabilidade da frequência cardíaca, indicando um estado de maior calma e relaxamento.

Além disso, a respiração consciente e focada pode reduzir a atividade da amígdala, uma região cerebral envolvida na detecção de ameaças e na resposta emocional negativa. Intervenções de meditação e respiração, associadas à atenção plena (mindfulness), colaboram para redução significativa na ansiedade e em sintomas relacionados, isso sugere que, ao praticar exercícios de respiração, os indivíduos podem não apenas melhorar a regulação emocional, mas também alterar a forma como seus cérebros reagem ao estresse.

Outro aspecto importante é que os exercícios de respiração podem ser uma ferramenta acessível e prática que os indivíduos podem usar em momentos de crise. As técnicas de respiração simples para a redução da ansiedade costumam ser eficazes, mesmo curtos períodos de prática, podem ter efeitos benéficos.

Os exercícios de respiração oferecem uma abordagem eficaz e cientificamente fundamentada para a regulação dos sintomas de ansiedade. A sua capacidade de interagir com os sistemas neurobiológicos do corpo, promovendo relaxamento e diminuindo a atividade da amígdala, o que torna essa prática uma adição valiosa ao arsenal de intervenções psicoterapêuticas disponíveis. Assim, ao integrar exercícios de respiração na prática clínica, os psicólogos podem não apenas proporcionar alívio imediato para sintomas ansiosos, mas também capacitar os pacientes com ferramentas que podem ser utilizadas ao longo da vida.

Referências

Willhelm, Alice Rodrigues, Andretta, Ilana, & Ungaretti, Mariana Steiger. (2015). Importância das técnicas de relaxamento na terapia cognitiva para ansiedade. Contextos Clínicos, 8(1), 79-86. https://doi.org/10.4013/ctc.2015.81.08

TOLEDO, F. L. G. P., & MACHADO, S. A. (2026). Os efeitos da meditação e exercícios respiratórios no transtorno de ansiedade generalizada: revisão integrativa. Revista Faculdades do Saber, 11(27). https://rfs.emnuvens.com.br/rfs/article/view/390